sexta-feira, 26 de março de 2010
A Cabana de Payssandu® - de Giba de Oliveira
Cena 1 – Off do início e alucinações de Payssandu
Voz em Off – Algumas pessoas acreditam que a arte imita a vida. Outras acham esse tipo de pensamento uma bosta. O fato é que a vida é uma sucessão de histórias e a arte é uma idéia que só existe se materializada. (Vários flashes de coisas cotidianas num palco de teatro) Quero lhes contar um pouco da minha breve passagem pelo mundo do teatro. Das pessoas que conheci e de como tudo isso foi importante para minha vida.
Aconteceu há alguns anos atrás. Fui trabalhar como aprendiz de palco para uma grande e conhecida companhia teatral que estava para estrear um grandioso espetáculo intitulado: A Cabana de Payssandu (som de trovão). É com um profundo sentimento de saudade que recordo tudo isso. Espero que gostem da história.
(Payssandu tem alucinações enquanto arde em febre no interior de uma oca. A cena é marcada por sons ritualescos e apenas um foco de luz ilumina o ator).
Payssandu – Mexi no galho. A serpente... Mexi no galho. A serpente... Mexi no galho. A serpente... A serpente é o cão! Eu estava ali. Ela também. Ela também estava ali. O quê? Ah, tá! Agora vai. Agora vai... Hã? Desse jeito não vai dar certo. Vamos organizar essa quizomba. Todo mundo falando junto ao mesmo tempo, eu não entendo nada. Primeiro você. (Pausa) Mas D. Pedro é el-rei! D. Pedro é el-rei! Eu sei. Cala essa boca porque eu não falei com você! O quê? Uma fortificação? Um castelo? Como assim!? Uma cabana? A minha cabana? (Levanta-se num sobressalto) Senhores! Nada mais de procurar ouro pela mata. O ouro é a perdição, a desgraça que imunda esse país. O Brasil é uma desgraceira, um chiqueiro de porcos. Mas eu vos garanto meus irmãos... (Grande pausa)
Diretor – (Intervindo) Vou construir minha cabana.
Payssandu – Eu sei o texto.
Diretor – Por que não disse então?
Payssandu – Porque era uma pausa dramática.
Diretor – Pausa? De quase um minuto?
Assistente – Para mim é um buraco.
Payssandu – Só se for o buraco do teu...
Diretor – Parem!
Payssandu – Eu sei as falas, as entonações e as pausas. Eu sou Payssandu.
Assistente – Madalena, minha filha, você pirou?
Payssandu – Madalena? Você me chamou de Madalena? Eu vou te mostrar quem é Madalena sua assistente de merda.
Diretor – Chega! Pausa para o lanche. Luz de serviço, por favor.
Cena 2 – O Aprendiz, a História do Teatro e o Elenco.
(O Diretor vê o Aprendiz que assistia a tudo atônito)
Diretor - E você, quem é?
Aprendiz – Olá! Boa tarde. Eu me chamo...
Diretor – O aprendiz.
Aprendiz – Como?
Diretor – Você não é o novo aprendiz, meu rapaz?
Aprendiz – Sim senhor.
Diretor – Sabia. Eu conheço. Não disse?! Percebo um aprendiz de longe. Todo curioso... Não sabe por que aqui tudo é preto. Não entende para que serve esse monte de varas dependuradas aí em cima. É aprendiz. Tá na cara. Foi tua mãe quem te mandou aqui, não foi rapaz?
Aprendiz – Foi sim senhor.
Diretor – E ela como está?
Aprendiz – Está bem senhor.
Diretor – Ótimo. Mande minhas lembranças a Dona Bárbara, com todo o respeito.
Aprendiz – Pode deixar, senhor.
Diretor – Então, você veio aprender teatro. Meu rapaz, deixe-me contar algo a respeito do teatro: Há, aproximadamente, 500 anos antes de Cristo, na Grécia, eram realizadas as festividades em homenagem a Dioniso, também chamado de Baco. O Deus da fecundidade, da vida e do vinho. Nestas festas à Baco, os gregos bebiam, cantavam, dançavam e botavam pra foder. Rolava de tudo. Era uma maravilha! Um bacanal bem bacana mesmo. Então, surgiram o Ditirambos. Poetas cantores que cantavam em coro as peripécias do grande herói. E foi a partir daí que se têm notícias dos atores, propriamente ditos. Eles eram, obviamente, gregos e falavam em grego os textos que autores gregos escreviam sobre a mitologia grega. Trajados com seus enormes coturnos e imensas máscaras interpretavam sobre uma plataforma chamada de proscênio, e eram acompanhados dos Corifeus e Coreutas que dançavam e narravam num espaço chamado de “orchestra”. O palco veio bem depois!!! Naturalmente, alguns atores e suas fantásticas companhias teatrais encenaram em outros espaços. Mas nós não estamos aqui falando dos comediantes da Commedia Del’arte e suas peripécias improvisadas e nem das peças de capa e espada dos teatros elizabetanos, muito menos dos atores virtuosíssimos ou dos naturalistas stanislawskianos, antoinianos e muitos outros anos. Também não estamos falando aqui do teatro expressionista contemporâneo que volta a utilizar o espaço como forma alternativa de representação de suas formidáveis partituras corporais e expressivo vigor físico, como Grotowsky, Eugênio Barba e Deniiiiiiiise Sto-Sto-Stocklos! (Para o elenco que a essa altura estava na platéia fazendo contorções e caretas) Voltem! Nós não sabemos nada a respeito desse tipo de representação. Enfim, meu jovem, teatro é uma coisa singela. É quando alguém representa diante de alguém. É um encontro... (para o público) e espero que gostem.
Aprendiz – O que disse senhor?
Diretor – Espero que eles gostem.
Aprendiz – Mas não há ninguém ali senhor.
Diretor – É aí que você se engana, meu jovem. Eles estão sempre ali. Eu posso vê-los, olhando para nós, todos se perguntando onde isso tudo vai dar.
Aprendiz – E onde isso tudo vai dar senhor.
Diretor – Eu não sei. Só espero que tudo não termine em merda.
(Os atores fazem uma rodinha.)
Aprendiz – O que eles estão fazendo ali?
Diretor – Ora o quê? O que sempre fazem: Desejando boa sorte. Pois bem pessoal já chega! Ouçam todos. Temos pouco tempo até a estréia. Gostaria de apresentar a todos o filho da minha amiga Bárbara, o jovem...
Aprendiz – Jonas.
Diretor – Ah! Jonas. Muito bem pessoal, a partir de agora ele é o nosso mais novo aprendiz de palco e vai nos ajudar nessa montagem. Bom, vamos em frente. Diretora assistente, por favor!
Assistente – Na segunda cena, depois de arder em febre durante três dias, Jorge Payssandu tem suas primeiras visões. As aparições lhes dizem que é necessário construir sua cabana. Um refúgio no meio da mata virgem para os perseguidos e desabrigados. Para lá vão várias pessoas como veremos a seguir...
Aprendiz – Mas quem é Payssandu?
Madalena – Eu sou Payssandu.
Assistente – (sussurrando) Não é não.
Madalena – (sussurrando) Sim, eu sou.
Assistente - (sussurrando) Não, não é.
Madalena – (sussurrando) Sou.
Assistente – (sussurrando) Não é.
Madalena – (sussurrando) Sou sim.
Assistente – Ok! Terceira cena! De como chegaram até a cabana de Payssandu, os monges do Carmo, e porque haviam fugido da capital, Rio de Janeiro.
(Todos saem de cena exceto 3 atores)
Madalena – Ele disse Jonas ou Thomas?
Raquel – Não. Ele disse Bárbara.
Madalena – Não.
Raquel – Disse sim. Bárbara.
Fernanda – Heliodora...
Madalena – Ah! Não...(saem).
Cena 3 – O Escritor, os Monges e os Patrocinadores
(Canto gregoriano. Foco no escritor que escreve uma crônica. Enquanto narra, dois outros focos revelam os Monges do Carmo e os Irmãos da Misericórdia. Depois a luz se abre em geral.)
Escritor – Até 1808, como se disse, permaneceram os carmelitas na casa que haviam construído. Do posterior destino e uso do Convento, tratar-se-á mais adiante. A residência dos frades não foi, porém, sempre serena. Se mansa e pacífica era a posse incontestada, eles é que não se mostraram pacíficos e mansos. Turbulentos, desordeiros e indisciplinados, mais de uma vez os do Carmo provocaram a intervenção das autoridades, civis ou eclesiásticas, para conter-lhes a índole agitada.
Desde cedo, mal se haviam definitivamente instalado em sua casa, já em 1622 se fazia necessária uma ordem real para refrear-lhes as tendências arruaceiras. Gozava a Irmandade da Misericórdia, desde aqueles tempos remotos, do privilégio de enterramentos sempre acompanhados de certo número de irmãos vestidos de suas insígnias distintivas. Cismaram os frades do Carmo que era afronta a sua dignidade passarem os préstimos fúnebres pela frente do Convento. E sempre que se aproximava algum enterro, saíam a rua, à frente de seus escravos, uns e outros armados com rijos cacetes, para dissolver o cortejo a pau. Nas escaramuças então travadas entre os do Carmo e os da Misericórdia, muitas vezes foi desrespeitado o defunto que ficava abandonado no campo de batalha.
Grande era o escândalo da população e vãs se mostraram as admoestações e reprimendas do administrador eclesiástico, que era então o Dr. Mateus da Costa Aborim. Apelou este, por fim, à Metrópole de onde veio uma ordem real proibindo que os carmelitas perturbassem o exercício pelos irmãos da Misericórdia de sua caridosa missão.
(Cristina entra acompanhada de Valquíria no meio da cena)
Cristina – Parem Tudo! Parem com isso!
Diretor – Mas quem é essa agora, heim? (para o aprendiz) Vai lá e pergunta!
Aprendiz – Olá. Posso ajudá-las?
Valquíria – Sim, pode meu rapaz...
Cristina – Estamos procurando o responsável dessa montagem.
Aprendiz – E pode-se saber quem são as senhoritas?
Cristina – Claro que pode garoto. Eu sou Cristina, a produtora. E esta é Valquíria.
Valquíria – A patrocinadora de tudo isso aqui!
Diretor – Deus me livre!
Cristina – Queremos falar com o diretor, o senhor Roberto.
Aprendiz – E vocês não sabem quem é?
Cristina – Claro que não garoto. Em que planeta você vive?
Aprendiz – É que eu estou começando agora. Bem, desculpem. Ele está...
Diretor – Amigas! Estragaram uma cena tão bonitinha!
Cristina – Bonitinha?
Valquíria – Um horror! Não tem dança. Ninguém canta.
Cristina – Onde está o diretor.
Diretor – Não veio.
Aprendiz – Senhor?
Cristina – Como não veio?
Aprendiz – Está doente.
Valquíria – Doente?
Diretor – Deprimido.
Valquíria e Cristina – Está com enxaqueca?
Diretor – Não tolinhas...
As duas – O quê?
Diretor – Está com depressão profunda!
Cristina – Não importa. Eu deixei bem claro no fax que nós queríamos cenas com danças...
Valquíria – E canto. Pessoas cantando.
Diretor – Que lindo!
Valquíria – Quem é ele?
Cristina – O senhor faz o quê aqui?
Diretor – Figurinos. A-do-ro plumas, paetês. Sabe que desde pequeno eu era amarradão em bonecas Susie. Vivia inventando roupinhas.
Assistente – Seu Roberto. O elenco está pronto para a cena dos militares.
Diretor – Ah! Nojenta! Já te disse mil vezes para você parar de me assustar assim. E meu nome é Norberto, entendeu, meu benzinho, Norberto.
Valquíria – Militares?
Assistente – Sim senhora.
Cristina – E você deve ser a assistente, creio.
Assistente – Sim senhora.
Valquíria – Adoro militares... são tão viris...
Cristina – Mas afinal de contas, quem está dirigindo este espetáculo?
Diretor – Ela!
Assistente – Eu?
Diretor – Vou dar uma olhadinha nos figurinos, com licença.
Cristina – Minha filha, é o seguinte: Não me importa como. O fato é que Valquíria e eu queremos um papel neste espetáculo.
Assistente – Isso é uma brincadeira?
Cristina – Quem aqui está brincando? Quer perder o seu emprego?
Valquíria – E quero cenas com muita dança e cantoria.
Assistente – Dança?
Cristina – E cantoria. Não ouviu?
Assistente – Mas este espetáculo é um registro da história do Brasil.
Cristina – Não me interessa o Brasil. Sei que você vai dar um jeitinho... Vamos Val? Queremos conhecer esse teatro.
Diretor – Já se foram?
Assistente – Foram conhecer o teatro. Querem papel.
Diretor – Deus me livre! O que disse a senhora?
Assistente – Nada. O jeito é dar-lhes os papeis.
Diretor – Mas a senhora está completamente louca. Eu não lhe dei autoridade para esse tipo de encargo, dona Julia. Diga a elas que não há a menor possibilidade disso acontecer. Cena dos militares!
Assistente – Ok. Atenção elenco! Silencio por favor. Quarta cena: Os militares.
Cena 4 – Os Militares
(Breve música de introdução. O Tenente Oliveira entra a frente de sua tropa.)
Tenente – Estúpidos!
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Seus montes de merdas!
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Gostam quando eu falo isso, não é? Adoram ser humilhados! Não é soldado? Gosta que alguém trepe em você não seu veado safado?
Soldado – Mais ou menos senhor...
Tenente – Animal! O que foi que você disse, imbecil?
Soldado – Nada não senhor.
Outro soldado – Senhor, permissão para falar.
Tenente – Permissão concedida, soldado.
Outro soldado – Senhor, ele disse, mais ou menos senhor.
Tenente – O quê? Seu estúpido. Quer dizer que além de caga botas você ainda é um dedo duro, fé-la da puta? Soldado, você é um fé-la da puta?
Outro Soldado – Sim senhor!
Tenente – Imbecil! Jamais diga o seu nome de guerra sem ser interpelado pelo inimigo.
Tropa – Sim senhor.
Tenente – Assim está melhor. Sabem por que estamos aqui no meio desse matagal de merda? Porque um dedo duro como você resolveu abrir a boca e nos contar onde fica essa tal cabana de Payssandu. E sabem por que estamos marchando até lá? Para dar um tiro de canhão e acertar o traseiro daqueles monarquistas fé-las das putas! Soldado. Você está rindo do que seu estúpido? Recebi ordens do senhor governador para acabar com esses arruaceiros de merda, e vou cumprir a vontade do estado maior das forças armadas do Brasil. Soldado. Você sabe quem é o estado maior?
Soldado – Permissão para pensar senhor.
Tenente – Negada. Vai pagar 10.
Soldado – Sim senhor.
Tenente – E você soldadinho, acaso sabe responder?
Outro soldado - ...n...n...não senhor.
Tenente – Estúpido! Não sabem de nada. Peguem o pavilhão. Tragam aqui.
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Sim senhor... foi o Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil que disse: Tenente Oliveira, está preparado para defender a pátria com sua própria vida? E eu lhe respondi...
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Parabéns soldados. Vejo que aprenderam. Vamos acabar com aquela raça de gentinha, liderados por aquele lunático e acabar com a cabana de Payssandu, ou não me chamo Tenente Oliveira.
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Sim é verdade. Agora eu vejo que o que esse país precisa são de bons tenentes como eu. Depois que concluirmos nossa missão me empenharei em uma outra ainda mais ousada. Farei a coluna Oliveira, para botar o Brasil nos eixos. Soldados. Atenção! Batalhão em forma! Carreguem direito esse canhão seus estúpidos!
Tropa – Sim senhor.
(vão saindo enquanto Valquíria e Cristina, ambas, vem vindo pelos fundos e encontram a assistente)
Voz em Off – Algumas pessoas acreditam que a arte imita a vida. Outras acham esse tipo de pensamento uma bosta. O fato é que a vida é uma sucessão de histórias e a arte é uma idéia que só existe se materializada. (Vários flashes de coisas cotidianas num palco de teatro) Quero lhes contar um pouco da minha breve passagem pelo mundo do teatro. Das pessoas que conheci e de como tudo isso foi importante para minha vida.
Aconteceu há alguns anos atrás. Fui trabalhar como aprendiz de palco para uma grande e conhecida companhia teatral que estava para estrear um grandioso espetáculo intitulado: A Cabana de Payssandu (som de trovão). É com um profundo sentimento de saudade que recordo tudo isso. Espero que gostem da história.
(Payssandu tem alucinações enquanto arde em febre no interior de uma oca. A cena é marcada por sons ritualescos e apenas um foco de luz ilumina o ator).
Payssandu – Mexi no galho. A serpente... Mexi no galho. A serpente... Mexi no galho. A serpente... A serpente é o cão! Eu estava ali. Ela também. Ela também estava ali. O quê? Ah, tá! Agora vai. Agora vai... Hã? Desse jeito não vai dar certo. Vamos organizar essa quizomba. Todo mundo falando junto ao mesmo tempo, eu não entendo nada. Primeiro você. (Pausa) Mas D. Pedro é el-rei! D. Pedro é el-rei! Eu sei. Cala essa boca porque eu não falei com você! O quê? Uma fortificação? Um castelo? Como assim!? Uma cabana? A minha cabana? (Levanta-se num sobressalto) Senhores! Nada mais de procurar ouro pela mata. O ouro é a perdição, a desgraça que imunda esse país. O Brasil é uma desgraceira, um chiqueiro de porcos. Mas eu vos garanto meus irmãos... (Grande pausa)
Diretor – (Intervindo) Vou construir minha cabana.
Payssandu – Eu sei o texto.
Diretor – Por que não disse então?
Payssandu – Porque era uma pausa dramática.
Diretor – Pausa? De quase um minuto?
Assistente – Para mim é um buraco.
Payssandu – Só se for o buraco do teu...
Diretor – Parem!
Payssandu – Eu sei as falas, as entonações e as pausas. Eu sou Payssandu.
Assistente – Madalena, minha filha, você pirou?
Payssandu – Madalena? Você me chamou de Madalena? Eu vou te mostrar quem é Madalena sua assistente de merda.
Diretor – Chega! Pausa para o lanche. Luz de serviço, por favor.
Cena 2 – O Aprendiz, a História do Teatro e o Elenco.
(O Diretor vê o Aprendiz que assistia a tudo atônito)
Diretor - E você, quem é?
Aprendiz – Olá! Boa tarde. Eu me chamo...
Diretor – O aprendiz.
Aprendiz – Como?
Diretor – Você não é o novo aprendiz, meu rapaz?
Aprendiz – Sim senhor.
Diretor – Sabia. Eu conheço. Não disse?! Percebo um aprendiz de longe. Todo curioso... Não sabe por que aqui tudo é preto. Não entende para que serve esse monte de varas dependuradas aí em cima. É aprendiz. Tá na cara. Foi tua mãe quem te mandou aqui, não foi rapaz?
Aprendiz – Foi sim senhor.
Diretor – E ela como está?
Aprendiz – Está bem senhor.
Diretor – Ótimo. Mande minhas lembranças a Dona Bárbara, com todo o respeito.
Aprendiz – Pode deixar, senhor.
Diretor – Então, você veio aprender teatro. Meu rapaz, deixe-me contar algo a respeito do teatro: Há, aproximadamente, 500 anos antes de Cristo, na Grécia, eram realizadas as festividades em homenagem a Dioniso, também chamado de Baco. O Deus da fecundidade, da vida e do vinho. Nestas festas à Baco, os gregos bebiam, cantavam, dançavam e botavam pra foder. Rolava de tudo. Era uma maravilha! Um bacanal bem bacana mesmo. Então, surgiram o Ditirambos. Poetas cantores que cantavam em coro as peripécias do grande herói. E foi a partir daí que se têm notícias dos atores, propriamente ditos. Eles eram, obviamente, gregos e falavam em grego os textos que autores gregos escreviam sobre a mitologia grega. Trajados com seus enormes coturnos e imensas máscaras interpretavam sobre uma plataforma chamada de proscênio, e eram acompanhados dos Corifeus e Coreutas que dançavam e narravam num espaço chamado de “orchestra”. O palco veio bem depois!!! Naturalmente, alguns atores e suas fantásticas companhias teatrais encenaram em outros espaços. Mas nós não estamos aqui falando dos comediantes da Commedia Del’arte e suas peripécias improvisadas e nem das peças de capa e espada dos teatros elizabetanos, muito menos dos atores virtuosíssimos ou dos naturalistas stanislawskianos, antoinianos e muitos outros anos. Também não estamos falando aqui do teatro expressionista contemporâneo que volta a utilizar o espaço como forma alternativa de representação de suas formidáveis partituras corporais e expressivo vigor físico, como Grotowsky, Eugênio Barba e Deniiiiiiiise Sto-Sto-Stocklos! (Para o elenco que a essa altura estava na platéia fazendo contorções e caretas) Voltem! Nós não sabemos nada a respeito desse tipo de representação. Enfim, meu jovem, teatro é uma coisa singela. É quando alguém representa diante de alguém. É um encontro... (para o público) e espero que gostem.
Aprendiz – O que disse senhor?
Diretor – Espero que eles gostem.
Aprendiz – Mas não há ninguém ali senhor.
Diretor – É aí que você se engana, meu jovem. Eles estão sempre ali. Eu posso vê-los, olhando para nós, todos se perguntando onde isso tudo vai dar.
Aprendiz – E onde isso tudo vai dar senhor.
Diretor – Eu não sei. Só espero que tudo não termine em merda.
(Os atores fazem uma rodinha.)
Aprendiz – O que eles estão fazendo ali?
Diretor – Ora o quê? O que sempre fazem: Desejando boa sorte. Pois bem pessoal já chega! Ouçam todos. Temos pouco tempo até a estréia. Gostaria de apresentar a todos o filho da minha amiga Bárbara, o jovem...
Aprendiz – Jonas.
Diretor – Ah! Jonas. Muito bem pessoal, a partir de agora ele é o nosso mais novo aprendiz de palco e vai nos ajudar nessa montagem. Bom, vamos em frente. Diretora assistente, por favor!
Assistente – Na segunda cena, depois de arder em febre durante três dias, Jorge Payssandu tem suas primeiras visões. As aparições lhes dizem que é necessário construir sua cabana. Um refúgio no meio da mata virgem para os perseguidos e desabrigados. Para lá vão várias pessoas como veremos a seguir...
Aprendiz – Mas quem é Payssandu?
Madalena – Eu sou Payssandu.
Assistente – (sussurrando) Não é não.
Madalena – (sussurrando) Sim, eu sou.
Assistente - (sussurrando) Não, não é.
Madalena – (sussurrando) Sou.
Assistente – (sussurrando) Não é.
Madalena – (sussurrando) Sou sim.
Assistente – Ok! Terceira cena! De como chegaram até a cabana de Payssandu, os monges do Carmo, e porque haviam fugido da capital, Rio de Janeiro.
(Todos saem de cena exceto 3 atores)
Madalena – Ele disse Jonas ou Thomas?
Raquel – Não. Ele disse Bárbara.
Madalena – Não.
Raquel – Disse sim. Bárbara.
Fernanda – Heliodora...
Madalena – Ah! Não...(saem).
Cena 3 – O Escritor, os Monges e os Patrocinadores
(Canto gregoriano. Foco no escritor que escreve uma crônica. Enquanto narra, dois outros focos revelam os Monges do Carmo e os Irmãos da Misericórdia. Depois a luz se abre em geral.)
Escritor – Até 1808, como se disse, permaneceram os carmelitas na casa que haviam construído. Do posterior destino e uso do Convento, tratar-se-á mais adiante. A residência dos frades não foi, porém, sempre serena. Se mansa e pacífica era a posse incontestada, eles é que não se mostraram pacíficos e mansos. Turbulentos, desordeiros e indisciplinados, mais de uma vez os do Carmo provocaram a intervenção das autoridades, civis ou eclesiásticas, para conter-lhes a índole agitada.
Desde cedo, mal se haviam definitivamente instalado em sua casa, já em 1622 se fazia necessária uma ordem real para refrear-lhes as tendências arruaceiras. Gozava a Irmandade da Misericórdia, desde aqueles tempos remotos, do privilégio de enterramentos sempre acompanhados de certo número de irmãos vestidos de suas insígnias distintivas. Cismaram os frades do Carmo que era afronta a sua dignidade passarem os préstimos fúnebres pela frente do Convento. E sempre que se aproximava algum enterro, saíam a rua, à frente de seus escravos, uns e outros armados com rijos cacetes, para dissolver o cortejo a pau. Nas escaramuças então travadas entre os do Carmo e os da Misericórdia, muitas vezes foi desrespeitado o defunto que ficava abandonado no campo de batalha.
Grande era o escândalo da população e vãs se mostraram as admoestações e reprimendas do administrador eclesiástico, que era então o Dr. Mateus da Costa Aborim. Apelou este, por fim, à Metrópole de onde veio uma ordem real proibindo que os carmelitas perturbassem o exercício pelos irmãos da Misericórdia de sua caridosa missão.
(Cristina entra acompanhada de Valquíria no meio da cena)
Cristina – Parem Tudo! Parem com isso!
Diretor – Mas quem é essa agora, heim? (para o aprendiz) Vai lá e pergunta!
Aprendiz – Olá. Posso ajudá-las?
Valquíria – Sim, pode meu rapaz...
Cristina – Estamos procurando o responsável dessa montagem.
Aprendiz – E pode-se saber quem são as senhoritas?
Cristina – Claro que pode garoto. Eu sou Cristina, a produtora. E esta é Valquíria.
Valquíria – A patrocinadora de tudo isso aqui!
Diretor – Deus me livre!
Cristina – Queremos falar com o diretor, o senhor Roberto.
Aprendiz – E vocês não sabem quem é?
Cristina – Claro que não garoto. Em que planeta você vive?
Aprendiz – É que eu estou começando agora. Bem, desculpem. Ele está...
Diretor – Amigas! Estragaram uma cena tão bonitinha!
Cristina – Bonitinha?
Valquíria – Um horror! Não tem dança. Ninguém canta.
Cristina – Onde está o diretor.
Diretor – Não veio.
Aprendiz – Senhor?
Cristina – Como não veio?
Aprendiz – Está doente.
Valquíria – Doente?
Diretor – Deprimido.
Valquíria e Cristina – Está com enxaqueca?
Diretor – Não tolinhas...
As duas – O quê?
Diretor – Está com depressão profunda!
Cristina – Não importa. Eu deixei bem claro no fax que nós queríamos cenas com danças...
Valquíria – E canto. Pessoas cantando.
Diretor – Que lindo!
Valquíria – Quem é ele?
Cristina – O senhor faz o quê aqui?
Diretor – Figurinos. A-do-ro plumas, paetês. Sabe que desde pequeno eu era amarradão em bonecas Susie. Vivia inventando roupinhas.
Assistente – Seu Roberto. O elenco está pronto para a cena dos militares.
Diretor – Ah! Nojenta! Já te disse mil vezes para você parar de me assustar assim. E meu nome é Norberto, entendeu, meu benzinho, Norberto.
Valquíria – Militares?
Assistente – Sim senhora.
Cristina – E você deve ser a assistente, creio.
Assistente – Sim senhora.
Valquíria – Adoro militares... são tão viris...
Cristina – Mas afinal de contas, quem está dirigindo este espetáculo?
Diretor – Ela!
Assistente – Eu?
Diretor – Vou dar uma olhadinha nos figurinos, com licença.
Cristina – Minha filha, é o seguinte: Não me importa como. O fato é que Valquíria e eu queremos um papel neste espetáculo.
Assistente – Isso é uma brincadeira?
Cristina – Quem aqui está brincando? Quer perder o seu emprego?
Valquíria – E quero cenas com muita dança e cantoria.
Assistente – Dança?
Cristina – E cantoria. Não ouviu?
Assistente – Mas este espetáculo é um registro da história do Brasil.
Cristina – Não me interessa o Brasil. Sei que você vai dar um jeitinho... Vamos Val? Queremos conhecer esse teatro.
Diretor – Já se foram?
Assistente – Foram conhecer o teatro. Querem papel.
Diretor – Deus me livre! O que disse a senhora?
Assistente – Nada. O jeito é dar-lhes os papeis.
Diretor – Mas a senhora está completamente louca. Eu não lhe dei autoridade para esse tipo de encargo, dona Julia. Diga a elas que não há a menor possibilidade disso acontecer. Cena dos militares!
Assistente – Ok. Atenção elenco! Silencio por favor. Quarta cena: Os militares.
Cena 4 – Os Militares
(Breve música de introdução. O Tenente Oliveira entra a frente de sua tropa.)
Tenente – Estúpidos!
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Seus montes de merdas!
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Gostam quando eu falo isso, não é? Adoram ser humilhados! Não é soldado? Gosta que alguém trepe em você não seu veado safado?
Soldado – Mais ou menos senhor...
Tenente – Animal! O que foi que você disse, imbecil?
Soldado – Nada não senhor.
Outro soldado – Senhor, permissão para falar.
Tenente – Permissão concedida, soldado.
Outro soldado – Senhor, ele disse, mais ou menos senhor.
Tenente – O quê? Seu estúpido. Quer dizer que além de caga botas você ainda é um dedo duro, fé-la da puta? Soldado, você é um fé-la da puta?
Outro Soldado – Sim senhor!
Tenente – Imbecil! Jamais diga o seu nome de guerra sem ser interpelado pelo inimigo.
Tropa – Sim senhor.
Tenente – Assim está melhor. Sabem por que estamos aqui no meio desse matagal de merda? Porque um dedo duro como você resolveu abrir a boca e nos contar onde fica essa tal cabana de Payssandu. E sabem por que estamos marchando até lá? Para dar um tiro de canhão e acertar o traseiro daqueles monarquistas fé-las das putas! Soldado. Você está rindo do que seu estúpido? Recebi ordens do senhor governador para acabar com esses arruaceiros de merda, e vou cumprir a vontade do estado maior das forças armadas do Brasil. Soldado. Você sabe quem é o estado maior?
Soldado – Permissão para pensar senhor.
Tenente – Negada. Vai pagar 10.
Soldado – Sim senhor.
Tenente – E você soldadinho, acaso sabe responder?
Outro soldado - ...n...n...não senhor.
Tenente – Estúpido! Não sabem de nada. Peguem o pavilhão. Tragam aqui.
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Sim senhor... foi o Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil que disse: Tenente Oliveira, está preparado para defender a pátria com sua própria vida? E eu lhe respondi...
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Parabéns soldados. Vejo que aprenderam. Vamos acabar com aquela raça de gentinha, liderados por aquele lunático e acabar com a cabana de Payssandu, ou não me chamo Tenente Oliveira.
Tropa – Sim senhor!
Tenente – Sim é verdade. Agora eu vejo que o que esse país precisa são de bons tenentes como eu. Depois que concluirmos nossa missão me empenharei em uma outra ainda mais ousada. Farei a coluna Oliveira, para botar o Brasil nos eixos. Soldados. Atenção! Batalhão em forma! Carreguem direito esse canhão seus estúpidos!
Tropa – Sim senhor.
(vão saindo enquanto Valquíria e Cristina, ambas, vem vindo pelos fundos e encontram a assistente)
“SEGUNDOS FATAIS” De Giba de Oliveira
“SEGUNDOS FATAIS” De Giba de Oliveira
Personagens:
Roberto Cruz
Pauline Rodrigues
João Abreu
Poliana Maria
Coreauta 1
Coreauta 2
Coreauta 3
Coreauta 4
Cenário:
2 praticáveis com rodas e 2 tripés com refletores.
Cena:
(Ao som de uma música oriental, com flautas, coros e batidas de percussão, várias imagens vão surgindo em “fade-in” e “fade-out” com um pouco de fumaça. As cenas em “slow-motion” deslizam literalmente sobre o palco.)
VOZ EM OFF - Várias vidas em jogo. (grande pausa)
Um único destino. (grande pausa)
O grupo Arteatroz apresenta...
(“Black-out” / Subitamente um display digital inicia uma contagem
regressiva.).
VOZ EM OFF - Segundos Fatais
Mudança da música. As cenas agora são profusas e rápidas.).
(ao telefone)
ROBERTO - Sim senhor. Eu compreendo completamente.
POLIANA - Mas você jurou pra mim! Você me prometeu! Você me
disse que era a última vez!
(em outro tablado)
JOÃO - Eu quero que ele pague... Olho por olho, dente por dente.
PAULINE - Calma meu amor, só faltam três meses pra você sair desta prisão.
VOZ EM OFF - O ódio...
ROBERTO - Então ele está livre... Como puderam?
POLIANA - Roberto... Amor... Não precisamos disso. Você sabe.
ROBERTO - Ele virá atrás de mim, eu sei.
POLIANA - Temos uma chance. Você sabe disso!
ROBERTO - O que você está dizendo?
POLIANA - Vamos embora. Temos dinheiro suficiente.
ROBERTO - Para onde? Poliana Maria, você tem idéia do que representa a soltura de João Abreu? Eu o prendi. E agora ele está solto.Aquele psicopata. Ele não vai parar...
POLIANA - Eu te amo Roberto Cruz.
ROBERTO - Eu também te amo, Poliana Maria.
POLIANA - Vamos fugir!
ROBERTO - Para onde, droga?
POLIANA - Vamos fugir para o Brasil...
VOZ EM OFF - O amor... (mudança para outro tablado)
JOÃO - Eu quero Roberto Cruz morto! Hoje!
Pauline - Tudo está como planejado.
JOÃO - Ótimo! E a bomba?
Pauline - No teatro, como você planejou!
VOZ EM OFF - A herança...
POLIANA - Ele está cercado!
ROBERTO - Onde?
POLIANA - Neste prédio.
ROBERTO - Vamos entrar!
CORO - Você está cercado. Entregue-se! (Grande correria e tiroteio.).
POLIANA - Ele escapou!(mudança de luz)
João - (ferido) Então era uma cilada!? Eu quero a cabeça de Roberto Cruz. Matem aquele maldito!
CORO - Sim! Agora mesmo!
VOZ EM OFF - O destino...E a crua verdade...
(cenas de perseguição e tiroteio.).
VOZ EM OFF - Se fazem reais.
Pauline - Foi o padre! Ele é um agente!
JOÃO - O Padre? O padre Scheider?
Pauline - Sim! Vocês três são irmãos!
CORO e João - (gritam) NÃO!!!!
(mudança para outro tablado)
Pauline - Você não quer isso para a sua família.
ROBERTO - Eu não me entregarei!
JOÃO - Esse puto está morto!
POLIANA - Ele quer você!
Pauline - O tempo está contando.
ROBERTO - Ótimo!
JOÃO - Quero ele morto!
POLIANA - Você precisa parar!
VOZ EM OFF - Quando sua vida depende do tempo.
Pauline - A bomba está ativa!
POLIANA - Você já o prendeu uma vez.
JOÃO - Ele é meu irmão?
ROBERTO - Meu irmão?
POLIANA - (morrendo) Salve aquelas crianças...
ROBERTO - Onde está a bomba?
POLIANA - O teatro vai explodir.
VOZ EM OFF - E o tempo depende de você...
JOÃO - Você não esperava por isso, não é?
Pauline - (baleada) Eu sempre te amei, Roberto Cruz...
CORO - Não!!!!
ROBERTO - Onde está a bomba?
VOZ EM OFF - Somente uma pessoa pode deter o destino.
JOÃO - No teatro... A bomba... Está...
ROBERTO - Em qual teatro? Em qual teatro está a bomba?
VOZ EM OFF - Somente o destino pode salvar o teatro de seu desígnio...
ROBERTO - Qual fio? Alô? Renato? Qual fio? Aurélio? Jorginho? Paulinho?
CORO - O azul! Não, o vermelho!
ROBERTO - Vermelho ou azul? Maneco?
CORO - Verde! Verde!
ROBERTO - Ok, Binho, estou cortando o fio verde. (Corta o fio, faltando dois segundos – o cronômetro para – zumbido – “black-out”.)
VOZ EM OFF - A salvação do teatro. “Segundos Fatais”. Em breve num teatro perto de você! Apoio.
Personagens:
Roberto Cruz
Pauline Rodrigues
João Abreu
Poliana Maria
Coreauta 1
Coreauta 2
Coreauta 3
Coreauta 4
Cenário:
2 praticáveis com rodas e 2 tripés com refletores.
Cena:
(Ao som de uma música oriental, com flautas, coros e batidas de percussão, várias imagens vão surgindo em “fade-in” e “fade-out” com um pouco de fumaça. As cenas em “slow-motion” deslizam literalmente sobre o palco.)
VOZ EM OFF - Várias vidas em jogo. (grande pausa)
Um único destino. (grande pausa)
O grupo Arteatroz apresenta...
(“Black-out” / Subitamente um display digital inicia uma contagem
regressiva.).
VOZ EM OFF - Segundos Fatais
Mudança da música. As cenas agora são profusas e rápidas.).
(ao telefone)
ROBERTO - Sim senhor. Eu compreendo completamente.
POLIANA - Mas você jurou pra mim! Você me prometeu! Você me
disse que era a última vez!
(em outro tablado)
JOÃO - Eu quero que ele pague... Olho por olho, dente por dente.
PAULINE - Calma meu amor, só faltam três meses pra você sair desta prisão.
VOZ EM OFF - O ódio...
ROBERTO - Então ele está livre... Como puderam?
POLIANA - Roberto... Amor... Não precisamos disso. Você sabe.
ROBERTO - Ele virá atrás de mim, eu sei.
POLIANA - Temos uma chance. Você sabe disso!
ROBERTO - O que você está dizendo?
POLIANA - Vamos embora. Temos dinheiro suficiente.
ROBERTO - Para onde? Poliana Maria, você tem idéia do que representa a soltura de João Abreu? Eu o prendi. E agora ele está solto.Aquele psicopata. Ele não vai parar...
POLIANA - Eu te amo Roberto Cruz.
ROBERTO - Eu também te amo, Poliana Maria.
POLIANA - Vamos fugir!
ROBERTO - Para onde, droga?
POLIANA - Vamos fugir para o Brasil...
VOZ EM OFF - O amor... (mudança para outro tablado)
JOÃO - Eu quero Roberto Cruz morto! Hoje!
Pauline - Tudo está como planejado.
JOÃO - Ótimo! E a bomba?
Pauline - No teatro, como você planejou!
VOZ EM OFF - A herança...
POLIANA - Ele está cercado!
ROBERTO - Onde?
POLIANA - Neste prédio.
ROBERTO - Vamos entrar!
CORO - Você está cercado. Entregue-se! (Grande correria e tiroteio.).
POLIANA - Ele escapou!(mudança de luz)
João - (ferido) Então era uma cilada!? Eu quero a cabeça de Roberto Cruz. Matem aquele maldito!
CORO - Sim! Agora mesmo!
VOZ EM OFF - O destino...E a crua verdade...
(cenas de perseguição e tiroteio.).
VOZ EM OFF - Se fazem reais.
Pauline - Foi o padre! Ele é um agente!
JOÃO - O Padre? O padre Scheider?
Pauline - Sim! Vocês três são irmãos!
CORO e João - (gritam) NÃO!!!!
(mudança para outro tablado)
Pauline - Você não quer isso para a sua família.
ROBERTO - Eu não me entregarei!
JOÃO - Esse puto está morto!
POLIANA - Ele quer você!
Pauline - O tempo está contando.
ROBERTO - Ótimo!
JOÃO - Quero ele morto!
POLIANA - Você precisa parar!
VOZ EM OFF - Quando sua vida depende do tempo.
Pauline - A bomba está ativa!
POLIANA - Você já o prendeu uma vez.
JOÃO - Ele é meu irmão?
ROBERTO - Meu irmão?
POLIANA - (morrendo) Salve aquelas crianças...
ROBERTO - Onde está a bomba?
POLIANA - O teatro vai explodir.
VOZ EM OFF - E o tempo depende de você...
JOÃO - Você não esperava por isso, não é?
Pauline - (baleada) Eu sempre te amei, Roberto Cruz...
CORO - Não!!!!
ROBERTO - Onde está a bomba?
VOZ EM OFF - Somente uma pessoa pode deter o destino.
JOÃO - No teatro... A bomba... Está...
ROBERTO - Em qual teatro? Em qual teatro está a bomba?
VOZ EM OFF - Somente o destino pode salvar o teatro de seu desígnio...
ROBERTO - Qual fio? Alô? Renato? Qual fio? Aurélio? Jorginho? Paulinho?
CORO - O azul! Não, o vermelho!
ROBERTO - Vermelho ou azul? Maneco?
CORO - Verde! Verde!
ROBERTO - Ok, Binho, estou cortando o fio verde. (Corta o fio, faltando dois segundos – o cronômetro para – zumbido – “black-out”.)
VOZ EM OFF - A salvação do teatro. “Segundos Fatais”. Em breve num teatro perto de você! Apoio.
quarta-feira, 24 de março de 2010
TEATRO É UMA CACHAÇA...OBA!
AMIGOS,
DURANTE ANOS FAZEMOS, PRODUZIMOS, PENSAMOS TEATRO E SEUS CONGÊNERES, se assim se pode dizer, SEMPRE ALMEJANDO REALIZAR OBRAS DE BEM COMUM AO SER HUMANO, a poesia.
ACREDITAMOS PODER COM ESTE BLOG ADICIONAR UMA PÁGINA A MAIS NESSA HISTÓRIA.
CONTINUAMOS ESCREVENDO, DIRIGINDO, ATUANDO, VARRENDO PALCO, ASSISTINDO E ILUMINANDO AS ATIVIDADES CULTURAIS.
CONTINUAMOS AMIGOS E PARCEIROS, citando Tábata, NO PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO HUMANO SER... NA VASTIDÃO DO UNIVERSO E NA VIZINHANÇA DA VASTIDÃO DO PASTO.
e viva tadeu bittencourt! nosso bruxo.
e vivam os mestres EM BLUMENAU, NO RIO DE JANEIRO, EM INDAIAL, EM SÃO PAULO, NA BAHIA, NOVA IORQUE, LONDRES, PARIS, LISBOA, MADRID, BARCELONA, NITERÓI, MÉXICO, E no warnow.
viva o ser humano e poder ter o poder de se expressar de forma possitiva!!!!
DURANTE ANOS FAZEMOS, PRODUZIMOS, PENSAMOS TEATRO E SEUS CONGÊNERES, se assim se pode dizer, SEMPRE ALMEJANDO REALIZAR OBRAS DE BEM COMUM AO SER HUMANO, a poesia.
ACREDITAMOS PODER COM ESTE BLOG ADICIONAR UMA PÁGINA A MAIS NESSA HISTÓRIA.
CONTINUAMOS ESCREVENDO, DIRIGINDO, ATUANDO, VARRENDO PALCO, ASSISTINDO E ILUMINANDO AS ATIVIDADES CULTURAIS.
CONTINUAMOS AMIGOS E PARCEIROS, citando Tábata, NO PROCESSO DE EVOLUÇÃO DO HUMANO SER... NA VASTIDÃO DO UNIVERSO E NA VIZINHANÇA DA VASTIDÃO DO PASTO.
e viva tadeu bittencourt! nosso bruxo.
e vivam os mestres EM BLUMENAU, NO RIO DE JANEIRO, EM INDAIAL, EM SÃO PAULO, NA BAHIA, NOVA IORQUE, LONDRES, PARIS, LISBOA, MADRID, BARCELONA, NITERÓI, MÉXICO, E no warnow.
viva o ser humano e poder ter o poder de se expressar de forma possitiva!!!!
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